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“O meu Reino não é deste mundo.” (Jo 18,36b)

No dia 24 de novembro deste ano celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Ao falar de Cristo Rei, imediatamente nossa mente humana nos remete à ideia que temos de um rei: um trono de ouro, coroa na cabeça e um cetro na mão simbolizando o poder. Não queremos dizer que a imagem está errada, mas gostaríamos de refletir um pouco sobre o reinado que Jesus nos apresenta.

Percorrendo os anos A, B e C da Liturgia, nos deparamos com três evangelhos diferentes, que nos mostram a figura do Rei Jesus.

No Ano A, vemos a figura do Rei, o Filho do Homem, que vem em Sua glória e senta em Seu trono para julgar, para separar justos e injustos. “Então o Rei dirá aos que estiverem à Sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois eu estava com fome, e me destes de comer; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me. Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!'.” (Mt 25,34-36.40) Jesus, o Rei, está presente no irmão que sofre, que pede nossa ajuda, que está caído à beira do caminho. Jesus é o Rei que espera de nós Amor, que espera de nós Caridade. “Todo gesto de amor é um gesto feito 'com Jesus', em sua companhia; 'como Jesus', porque aprendemos do Evangelho; mas também 'para Jesus', porque todas as vezes que fizermos um gesto de amor, fizemos 'para Ele'” (Vatican News).

No Ano B, que estamos vivenciando agora, temos o diálogo de Pilatos e Jesus. “Jesus respondeu: 'O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, o meu Reino não é daqui'.” (Jo 18,36) À pergunta de Pilatos, que questiona se Jesus era Rei, Ele respondeu: “Tu dizes que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.” (Jo 18,37b) Neste diálogo, Jesus contraria toda a ideia de “realeza” dos homens. E diz: “O meu Reino não é daqui”. O reinado de Jesus está além de nossa compreensão tão pequena. O Reino de Jesus não tem relação com poder, força, exércitos, riquezas... Porque estas são coisas deste mundo. Mas, para Deus, é diferente. “Mas o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa.” (1Cor 1,27-28) Essa é a lógica de Deus. E com Seu Reino não é diferente. Jesus é o Rei da humildade, da mansidão, do amor.

E, por fim, no Ano C vemos Jesus pregado na Cruz. “E diziam: 'Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!' Acima dele havia um letreiro: 'Este é o Rei dos judeus'. Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: 'Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!' Mas, o outro o repreendeu: 'Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma pena? Para nós, é justo sofrermos, pois estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal' E acrescentou: 'Jesus, lembra-te de mim, quando começares a reinar'. Ele lhe respondeu: 'Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso'.” (Lc 23,37-43) Este é o nosso Rei. Sua coroa não é de ouro, mas de espinhos, e seu trono é a Cruz. Para os homens que não creem, um perdedor. Para nós, o único Vencedor. Ele é o Rei de amor, que morre por aqueles que o insultavam. O Rei que sofre em silêncio. Que não responde às ofensas. Sua única resposta foi àquele que estava arrependido: “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso”. Ele não é o Rei que condena quem se afasta, mas sim o que acolhe quem se aproxima.

Que nós possamos reconhecer em Jesus o verdadeiro Rei! O único Rei! Que a Celebração de Cristo Rei nos faça lembrar do reinado de Jesus, que não é deste mundo, mas que há de vir!

 

JOÃO VITORIO E TAYNAH NAIAMI ERNST MARTINS

Pastoral da Comunicação

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