Loading...
O rito judaico ilustra a variedade de atos rituais e a identidade de seus elementos. O livro de Levítico, o terceiro livro do Pentateuco que tradicionalmente se atribui a Moisés, descreve os rituais de sacrifícios de quatro maneiras: hattât, shelamim, minkhã e ola.
O sacrifício hattât, também conhecido como sacrifício pelo pecado, tinha a finalidade de se redimir pelo pecado cometido por ignorância, confessar o pecado, obter expiação e purificar de impurezas. Os tipos de ofertas variavam de acordo com a classe social, desde cabras e novilhos até passarinhos ou porções de farinha (cf. Lv 4—6)
O zebah shelamim, sacrifício de paz, era um sacrifício comunitário, de ação de graças, de aliança ou de voto, com a finalidade de comemorar com um banquete (cf. Lv 3; 7,11-34). A minkhã consistia numa oferta não animal, e era um voluntário ato de adoração, o reconhecimento da bondade de Deus (cf. Lv 2; 6.14–23).
A oferta em holocausto (ola) implicava a incineração integral do animal, representando completa submissão à divindade. Os elementos variavam entre bovinos, ovinos ou aves do sexo masculino, todas sem defeito. Para os pobres, a oferta poderia ser uma rola ou um pombinho (cf. Lv 1; 6,1-5; 8,1-21; 16,24). Quando mais de uma oferta era apresentada, conforme em Números 7,16–17, o procedimento era assim disposto: primeiro, a oferta pelo pecado ou pela culpa, para tratar o pecado e, em seguida, o holocausto, representando total dedicação a Deus, e, por último, a oferta pacífica e a oferta de manjares, acompanhada de uma libação, consistindo na oferenda de líquidos (normalmente vinho ou azeite) derramados em sacrifício em forma de dedicação a Deus.
Na religião do antigo Israel, o cordeiro era visto como sacrifício, sendo o holocausto uma das formas mais primitivas de adoração. Em Êxodo 12,1-23, os israelitas deveriam comer o cordeiro, na fuga do Egito, a fim de poupar seus primogênitos e os de seus rebanhos. Disso conclui-se que a Páscoa foi um ato de redenção, um “resgate”.
Trazendo a reflexão ao Novo Testamento, São João desvela que o novíssimo e definitivo sacrifício pascal é o próprio Cristo, sacerdote e vítima. Jesus usa de uma linguagem sacrifical explicitando a libação ao proferir Suas palavras: “Isto é o meu corpo dado por vós... Esta taça é a nova Aliança em meu sangue, derramado por vós” (Lc 22,19-20). Sacrifício este que nem o sangue de ovelhas e bois reunidos poderiam alcançar, pois é “impossível que o sangue de touros e bodes elimine os pecados” (Hb 10,4).
São João Batista, padroeiro da Diocese de Rio do Sul, já anunciava Jesus como cordeiro ao dizer “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36). Sendo o Cristo o único que poderia “abolir o pecado com seu próprio sacrifício” (Hb 9, 26). Conforme o Catecismo: “A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens por meio do 'Cordeiro que tira o pecado do mundo', e o sacrifício da Nova Aliança que restabelece a comunhão entre o homem e Deus, reconciliando-o com Ele pelo 'sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados'” (CIC 613). Deste Sacrifício único e santo se faz memória e se atualiza em cada Santa Missa, pois o Pai entregou o Filho para nos reconciliar consigo (cf. Cl 1,20)!
Referências:
Bíblia de Jerusalém
O Banquete do Cordeiro – Scott Hahn
CIC – Catecismo da Igreja Católica
GABRIEL NAFFIN
Seminarista de Teologia