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“Tudo o que sabemos da Apresentação de Nossa Senhora no templo, sabemo-lo pela Tradição da Igreja, o que não quer dizer que o assunto da festa litúrgica careça de probabilidade histórica. Segundo a Tradição, Maria Santíssima, tendo apenas três anos de idade, foi pelos pais, em cumprimento de uma promessa, levada ao templo, para ali, com outras meninas, receber educação adequada à sua idade e posição.
A apresentação de Nossa Senhora encerra dois sacrifícios: a dos pais e o da menina Maria. Diz a Tradição que Joaquim e Ana ofereceram a Deus a filhinha no templo, quando esta tinha três anos. Sem dúvida, foi para estas santas pessoas um sacrifício muito grande separar-se da filhinha em tão tenra idade. Joaquim e Ana não teriam experimentado o sacrifício em toda a sua amargura? O coração dos amorosos pais não teria sentido a dor da separação? Que foi que os levou a fazer tal sacrifício? A Tradição fala de um voto que tinham feito. Votos desta natureza não eram raros no Antigo Testamento. As crianças eram educadas em colégios anexos ao templo, e ajudavam nos múltiplos serviços e funções da casa de Deus. Não erramos em supor que Joaquim e Ana, quando levaram a filhinha ao templo, fizeram-no por inspiração sobrenatural, querendo Deus que sua futura esposa e mãe recebesse uma educação e instrução primorosíssima.
Grande era o sacrifício de Maria Santíssima: não resta dúvida que para ela, a criança entre todas mais privilegiada, a cerimônia da Apresentação significava mais que a entrada no colégio do templo. Maria Santíssima reconhecia em tudo uma solene consagração da vida a Deus, a oferta de si mesma ao supremo Senhor. O sacrifício que oferecia era a oferta das primícias e as primícias, por mais insignificantes que sejam, são preciosas por serem uma demonstração da generosidade do ofertante e uma homenagem a quem as recebe.
Que espírito, tanto nos santos pais como na santa menina! Que espetáculo para o céu e para os homens! O que encanta a Deus e lhe atrai a graça, em toda a plenitude, edifica e enleva a todos que se ocupam deste mistério na vida de Nossa Senhora. Poderá haver coisa mais bela que a piedade, o desprendimento completo no serviço do Senhor?
A vida de Maria Santíssima no templo foi a mais santa, a mais perfeita que se pode imaginar. O templo era a casa de Deus e, na proximidade de Deus, se sentia bem a bela alma em flor. Era o templo onde os antepassados tinham feito orações, celebrado festa, era o templo onde se achava o santuário do Antigo Testamento, a arca, o trono de Deus no meio do povo; era o templo, afinal, de que as profecias diziam que o Messias nele devia fazer entrada.
Naquele templo a menina Maria rezava e se preparava para a grande missão que Deus lhe tinha reservado. Segundo uma revelação com que Maria Santíssima agraciou Santa Izabel de Hungria, todas as orações feitas naquele tempo se lhe resumiam no seguinte: 1) Alcançar as virtudes da humildade, paciência e caridade; 2) Conseguir amar e odiar tudo a que Deus tem amor ou ódio; 3) Amar ao próximo e tudo que lhe é caro; 4) A conservação da nação e do templo, a paz e a plenitude das graças de Deus; e 5) Finalmente ver o Messias e poder servir à sua Santa Mãe.
Maria Santíssima era modelo de obediência, amor e respeito para com os superiores, de caridade e amabilidade com as companheiras. Uma menina humilde, despretensiosa e amante do trabalho. Como as demais meninas do colégio do templo, se ocupava de outros serviços concernentes ao serviço santo; é provável que Maria Santíssima tenha recebido instruções sobre diversos trabalhos, como: pintura, trabalhos de agulha, canto e música. É opinião de muitos que o grande véu do Templo, que na hora da morte de Jesus se partiu de alto a baixo, tinha sido confeccionado por Maria Santíssima e as companheiras.
Assim foi santíssima a vida de Maria Santíssima no Templo. O Divino Espírito esmerilhou o coração e o espírito da esposa, mais do que qualquer outra criatura. Nossa Senhora poderia aplicar a si as palavras do Livro do Eclesiástico 51,18... 'Quando ainda era pequena, procurei a sabedoria na oração. Na entrada do templo instava por ela... Ela floresceu como uma nova temporã. Meu coração nela se alegrou e desde a minha mocidade procurei seguir lhe o rasto'.”
Que este artigo, retirado do livro “Na Luz Perpétua” (1935), do Padre João Batista Lehmann, SVD, seja constante inspiração para nós, mas de modo especial aos pais, para que, mesmo diante dos sacrifícios de cada dia, possam educar seus filhos na fé que professam, propiciar a educação humana e apresentar, pela convivência em família, pequenas Igrejas Domésticas, as grandes virtudes que brotam do trabalho e da oração.
Deus abençoe!
Salve Maria!
DIÁCONO LEONARDO E PRISCILA KLETTENBERG
Paróquia Cristo Rei – Taió/SC