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SALMO 126 (125) | Deus transforma o sofrimento em alegria

1Cântico das subidas.

Quando o Senhor mudou a sorte de Sião,

parecíamos sonhar:

2a nossa boca se encheu de riso,

e a nossa língua de canções.

Até entre as nações se comentava:

“O Senhor foi grande com eles!”

3Sim, Deus foi grande conosco,

e por isso estamos alegres.

4Que o Senhor mude a nossa sorte,

como as torrentes do Negueb.

5Os que semeiam com lágrimas,

ceifam em meio a canções.

6Vão andando e chorando ao levar a semente.

Ao regressar, voltam cantando,

trazendo seus feixes.

 

TIPO DE SALMO

Este salmo mistura dois tipos, a ação de graças coletiva (v. 1b-3) e a súplica, expressa em forma de desejo: “Que o Senhor mude a nossa sorte, como as torrentes do Negueb” (v. 4-6). Nós o consideramos súplica coletiva (“a nossa sorte”). Recordando um passado de libertação fantástica, um grupo de pessoas pede que a sorte deles seja novamente mudada.

 

COMO ESTÁ ORGANIZADO E COMENTÁRIO

O Salmo 126 apresenta um núcleo (sem introdução ou conclusão) dividido em dois momentos: v. 1b-3 e v. 4-6. Ambos começam com expressão semelhante: “Quando o Senhor mudou a sorte...” (v. 1b) e “Que Senhor mude a nossa sorte...” (v. 4a). O clima do primeiro momento é de grande alegria, ao passo que o do segundo é de sofrimento acompanhado de esperança. De fato, fala-se de “sonhar”, “riso”, “canções” e “alegres”. O motivo disso é a mudança de sorte de Sião (Jerusalém), a capital do povo e centro de peregrinações festivas. A mudança de sorte refere-se certamente à volta dos que estiveram exilados na Babilônia. De fato, na língua hebraica a expressão “mudar sorte” é igual a “trazer de volta os deportados” (algumas Bíblias traduzem assim o começo deste salmo). Realizou-se, portanto, o esperado sonho dos profetas exilados, segundo Isaías e Ezequiel (veja também o livro de Baruc e o livro das Lamentações). A mudança de sorte da capital recebe o reconhecimento do mundo inteiro (a dupla nações + Israel representa a humanidade toda). As nações comentam e Israel reconhece as coisas grandes que Deus realizou pelo povo. O fato é apresentado como fantástico, um sonho. Às vezes, quando experimentamos algo extraordinário, costumamos perguntar: “Será que estou sonhando?”. Para Israel, o que era sonho tornou-se realidade, pois Deus realiza as mais profundas expectativas de liberdade e de vida para seu povo.

Se no primeiro momento havia risos e canções na boca e na língua do povo, no segundo (v. 4-6) tudo se torna súplica. Há um pedido de mudança de sorte para o povo, sinal de que está recordando as grandes coisas do passado em meio a novo conflito ou drama social (talvez nacional). Esse momento é marcado pela esperança. Espera-se que, novamente, o Senhor seja grande para com o povo. Usam-se duas imagens importantes. Em primeiro lugar, as torrentes do Negueb (v. 4b). Negueb é o deserto ao sul de Judá, temporários que se enchem de água durante o período das chuvas, e as torrentes são os rios levando vida ao deserto. Há claro contraste entre a situação atual do povo (deserto, seca, ausência de vida) e o que se espera (chuva, águas abundantes, vida).

A segunda imagem é semelhante à anterior ou, se quisermos, decorrente da chuva que fecunda o solo. De fato, fala-se de semeadores que semeiam à duras penas (“lágrimas”, “andando e chorando”). Mas, sobretudo, recorda-se a alegria da colheita (“ceifar”, “trazer os feixes”). Este momento abraça todo o ano agrícola: chuva, semeadura e colheita. Apresenta quatro contrastes: semear x ceifar; ir x voltar; chorar x cantar; semente miúda x feixes grandes. O contraste fica mais evidente se levarmos em conta a desproporção entre a pequena sacola de sementes e os grandes feixes carregados às costas. A leve sacola é carregada entre lágrimas; os pesados feixes, com alegria e cantos. O prazer da colheita faz esquecer as dificuldades da semeadura. As lágrimas aumentam a alegria do colher.

 

REZAR O SALMO 126 HOJE

É bom rezá-lo juntos, celebrando as vitórias do povo por vida (primeiro momento do Salmo) e suplicando por mudança de sorte (segundo momento); quando desejamos transformar o sofrimento em esperança, as lágrimas em canções; nas romarias e procissões.

Outros salmos de súplica coletiva: 12; 44; 58; 60; 74; 77; 79; 80; 82; 83; 85; 90; 94; (106); 108; 123; 137.

 

PE. OSMAR DEBATIN

Doutor em Bíblia e Pároco da Paróquia Santo Ambrósio

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