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A Catequese de Iniciação à Vida Cristã é um processo fundamental no anúncio e aprofundamento da fé, que visa formar discípulos missionários comprometidos com Jesus Cristo, com a Igreja e com a transformação do mundo. Trata-se de uma proposta catequética que vai além da simples preparação para os Sacramentos, promovendo uma autêntica experiência de encontro com Cristo vivo, inserção progressiva na comunidade eclesial e compromisso com o Reino de Deus. Nesse itinerário de fé, o tema do Dízimo emerge como uma expressão concreta de maturidade cristã, sinal de pertença à comunidade e manifestação de gratidão a Deus.
1. A Catequese de Iniciação à Vida Cristã: um caminho de discipulado
A Iniciação à Vida Cristã retoma o modelo catecumenal da Igreja primitiva, que compreende diversas etapas de crescimento espiritual, litúrgico e comunitário. Inspirada no Rito de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), essa catequese busca formar cristãos convictos, conscientes e comprometidos com sua fé. Esse processo não se resume a uma transmissão de conteúdos doutrinários, mas é uma experiência de vida, que envolve o anúncio querigmático (primeiro anúncio da fé), o acompanhamento pessoal e comunitário, a celebração dos Sacramentos (Batismo, Crisma e Eucaristia) como parte integrante do caminho e a inserção concreta na vida da comunidade, com participação ativa na missão eclesial. A meta é levar o catequizando a “viver como Jesus viveu”, assumindo sua fé de forma integral e responsável. Nesse contexto, temas como a partilha, a solidariedade, a justiça e o cuidado com o próximo não podem ser tratados como periféricos, mas como essenciais. É nesse horizonte que o Dízimo deve ser apresentado.
2. O Dízimo: expressão de fé, gratidão e compromisso
O Dízimo, compreendido como a entrega regular e consciente de uma parte dos bens ao serviço da comunidade e da missão da Igreja, não é um simples ato financeiro, mas uma atitude espiritual e evangelizadora. Ele é fruto de uma fé amadurecida, de um coração que reconhece em Deus a fonte de todos os bens e deseja retribuir com generosidade e amor.
A prática do Dízimo tem base bíblica sólida. No Antigo Testamento, o Dízimo era oferecido como sinal de gratidão e fidelidade à aliança com Deus (cf. Dt 14,22-29; Ml 3,10). No Novo Testamento, embora Jesus não tenha se prendido a medidas exatas, Ele valoriza a partilha generosa e o desapego dos bens como exigências do seguimento (cf. Lc 21,1-4; Mt 6,19-21; At 2,42-47). Portanto, o Dízimo deve ser apresentado não como um “preço a pagar”, mas como um dom a oferecer. Ele é sinal de pertença à comunidade e expressão concreta da vocação de cada cristão de colaborar com a evangelização e o sustento da Igreja.
3. Catequese e Dízimo: integração necessária na formação cristã
Na catequese de Iniciação, sobretudo com crianças, adolescentes, jovens e adultos, é essencial tratar do Dízimo de forma progressiva e contextualizada, respeitando a etapa de amadurecimento da fé em que se encontra o catequizando. É preciso superar a visão de que o Dízimo é apenas responsabilidade dos adultos ou uma prática “opcional”. A Iniciação à Vida Cristã, que envolve conversão pessoal, inserção comunitária e compromisso missionário, deve abrir espaço para que o cristão compreenda que a vivência da fé também se expressa no uso dos bens materiais para o bem comum e a missão da Igreja. Alguns caminhos práticos para essa integração incluem: Catequeses específicas sobre o sentido cristão do Dízimo, dentro do itinerário da Iniciação; Testemunhos de dizimistas como forma de motivar e inspirar; Ações concretas de solidariedade e partilha, que mostrem o impacto positivo do Dízimo na vida da comunidade; Envolvimento da família, especialmente no caso de crianças e adolescentes, para que a prática do Dízimo seja vivida no contexto familiar; Celebrações e ritos que valorizem o gesto da oferta e da gratidão como parte da vivência litúrgica e catequética.
4. Dízimo e comunhão eclesial: sinal de maturidade e corresponsabilidade
A vida cristã amadurecida leva à corresponsabilidade com a missão da Igreja. O cristão iniciado é chamado não apenas a participar das celebrações, mas a construir com os outros uma comunidade viva, missionária e solidária. O Dízimo, nesse sentido, é um instrumento pastoral que favorece: A autonomia da Igreja local, que pode manter sua estrutura e suas atividades evangelizadoras; A solidariedade entre comunidades, especialmente com as mais pobres; A transparência e comunhão entre os membros da Igreja, uma vez que todos são chamados a contribuir e a acompanhar o uso dos recursos; E o fortalecimento do espírito de pertença, tão necessário num tempo marcado pelo individualismo. A Catequese de Iniciação à Vida Cristã, quando assume o desafio de formar discípulos e missionários, precisa integrar em sua proposta pedagógica e pastoral o tema do Dízimo como dimensão concreta da fé celebrada e vivida. Formar cristãos maduros é também formar corações generosos, conscientes de que tudo o que temos é dom, e que somos chamados a devolver a Deus, por meio da comunidade, com alegria e confiança. O Dízimo, assim compreendido, deixa de ser um fardo ou uma obrigação e torna-se um gesto de amor, de comunhão e de fé viva, um verdadeiro fruto da Catequese que evangeliza de verdade.
SILVANA LAUREANO DA SILVA DE SOUZA
Coordenadora Diocesana de Catequese