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O que significa celebrar um Ano Santo?
Neste artigo queremos compreender um pouco desta caminhada da Igreja Católica para este Ano de 2025! Um novo Jubileu na Igreja! Certamente, na igreja de sua comunidade deve ter uma placa metálica do Jubileu do Ano 2000 – “Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre!”
Um pouco da História
Tudo começou no Pontificado do Papa São Bonifácio, em 1300, quando o povo pediu um Jubileu. O povo peregrinava até Roma, passava na Porta Santa da Basílica e recebia as indulgências. Posteriormente, a Igreja começou a proclamar um Ano Santo a cada 25 anos. Temos, por exemplo, no pós-guerra, em 1950, o Jubileu da Reconciliação; no pós-Concílio Vaticano II, 1975, o Jubileu da Unidade; no ano 2000, dois milênios do Mistério da Encarnação; em 2016 o Papa Francisco proclamou um Ano Santo Extraordinário – Ano da Misericórdia; da mesma forma está previsto, em 2033, o Ano Santo Extraordinário da Redenção, recordando os dois milênios da Paixão, Morte e Ressurreição de Nossa Senhor.
Bula de Promulgação
Foi no dia 9 de maio de 2024, festa da Ascensão, que o Papa Francisco tornou pública a Bula de promulgação: SPES NON CONFUNDIT - “A Esperança não Decepciona”. Nesta, anunciava que o Ano Santo teria início com a abertura da Porta em Roma no dia 24 de dezembro de 2024, e teria seu término em 6 de janeiro de 2026. Pedia que nas Dioceses fossem celebradas a abertura do Ano Santo em 29 de dezembro de 2024, finalizando com outra celebração em 28 de dezembro de 2025.
A Palavra de Deus nos inspira
A ideia do “Jubileu”, na Bíblia, é designada pela raiz ybl (substantivo yôbēl), que significa chifre de carneiro, instrumento de sopro que era tocado para demarcar o início do Ano do Jubileu. Mas, na Tradição Bíblica do Antigo Testamento, o povo de Deus marcava o ritmo de trabalho com alguns intervalos para o descanso, o culto e honrar a família e o próprio Deus: o Sábado, Êxodo 23,12 (Shabat); o Ano sabático, Levítico 25,1-7, “Durante seis anos semearás o teu campo; durante seis anos podarás a tua vinha e recolherás os produtos dela. Mas no sétimo ano a terra terá seu repouso sabático, um sábado para Iahweh: não semearás o teu campo e não podarás a tua vinha, não ceifarás as tuas espigas, que não serão reunidas em feixes, e não vindimarás as tuas uvas das vinhas, que não serão podadas. Será para a terra um ano de repouso” (Lv 25,3-5); e o Ano Jubilar, Levítico 25, 8-17, “Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, isto é, o tempo de sete semanas de anos, quarenta e nove anos. No sétimo mês, no décimo dia do mês, farás vibrar o toque da trombeta; no dia das Expiações, fareis soar a trombeta em todo o país. Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação de todos os moradores da terra. Será para vós um jubileu: cada um de vós retornará a seu patrimônio, e cada um de vós voltará ao seu clã. O quinquagésimo ano será para vós um ano jubilar: não semeareis, nem ceifareis as espigas que não forem reunidas em feixe, e não vindimareis as cepas que tiverem brotado livremente” (Lv 25,8-11).
Existem três elementos que caracterizam a essência do Ano Jubilar: a liberdade pessoal, a restituição da propriedade e o mais importante: a fé num Deus libertador, misericordioso e providente. Instituição estabelecida por Deus ainda no Monte Sinai, porém observada somente a partir da entrada na Terra Prometida. Consiste num repouso para a terra, pois cessa o trabalho para os agricultores, diaristas, escravos e escravas, imigrantes e animais, assumindo uma renovação tanto na dimensão ecológica (descanso da terra e dos animais) como na dimensão social (agricultores, escravos e escravas, diaristas e imigrantes).
No Novo Testamento, Jesus escolhe o texto programático de Isaías 61,1-2 como base introdutória do seu ministério. Sua missão é referida como a promulgação de um “ano de graça do Senhor”. Além da dimensão ecológica e social, destaca-se a dimensão redentora de Cristo; a libertação do pecado (indulgências), que faz libertar os cativos, enxergar aos privados de visão, vida nova redimida. A libertação do pecado e da morte, e a restauração da herança perdida pelo homem são proclamadas como realizadas em Cristo Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim...” (Lc 4,18).
O Jubileu e seus Sinais
Os objetivos do Jubileu são: confiar mais no Senhor, Ele é providente, nós precisamos dEle; reconhecer que pertencemos a uma família, um povo eleito; como irmãos precisamos reconhecer a necessidade de diminuir as desigualdades e a indiferença. Mas o objetivo deste Jubileu de 2025 é favorecer um clima de esperança e confiança e recuperar o sentido de fraternidade universal. O tema escolhido, “Peregrinos de Esperança”, quer irradiar esperança num mundo de fadiga. O mundo precisa de palavras de esperança, é desejo de todos! Não esperanças fáceis, cotidianas, passageiras, ilusórias, mas com um olhar para o futuro num sentido pleno, numa expectativa vigilante. Não com medo, mas numa espera que vai dando sentido ao presente, ao hoje, às decisões, às ações... “Não tenhais medo! Eis que vos anuncio uma grande alegria...” Precisamos falar mais de Salvação, Cristo nos redimiu – “Não quero ser salvo sem você!” (Santo Agostinho).
Em preparação para o Ano Jubilar, a Igreja realizou, no ano de 2023, o estudo do Concílio Vaticano II e, em 2024, um Ano de Oração pelo Ano Jubilar. E neste Ano Santo alguns SINAIS são próprios e visíveis do Jubileu.
A Peregrinação representa um elemento fundamental de todo o evento jubilar. Pôr-se a caminho é típico de quem anda à procura do sentido da vida. Deus pede a Abraão: “Sai da sua terra, da sua parentela e da casa de seu pai” (Gn 12,1). Com estas palavras começa sua aventura, que termina na Terra Prometida. O ministério de Jesus também é identificado com uma viagem da Galiléia para Jerusalém.
A Porta Santa é um sinal para todos, um momento de encontro vivo e pessoal com o Senhor Jesus, “porta” de salvação (cf. Jo 10, 7.9); com Ele, que a Igreja tem por missão anunciar sempre, em toda a parte e a todos, como sendo a “nossa esperança” (1Tm 1, 1).
O Jubileu é um sinal de reconciliação; a Confissão abre um “tempo favorável” (cf. 2 Cor 6,2) para a própria conversão, é uma questão de viver o Sacramento da Reconciliação, de aproveitar esse tempo para redescobrir o valor da confissão e receber pessoalmente a palavra do perdão de Deus.
No centro está a Celebração Eucarística, onde o Corpo e o Sangue de Cristo são recebidos: como peregrino, Ele mesmo caminha ao lado dos discípulos e lhes revela os segredos do Pai, para que possam dizer: “Fica conosco, pois é noite e o dia termina” (Lc 24,29).
A Profissão de Fé, também chamada de “símbolo”, é um sinal de reconhecimento próprio ao batizado; expressa o conteúdo central da fé e resume as principais verdades que um crente aceita e testemunha no dia de seu Batismo e compartilha com toda a comunidade cristã pelo resto de sua vida. Durante o Jubileu, ocorrerá um aniversário muito significativo para todos os cristãos: 1700 anos da celebração do primeiro grande Concílio ecumênico, o de Nicéia (325).
Os momentos de Oração feitos durante a viagem mostram que o peregrino tem os caminhos de Deus “em seu coração” (Sl 83,6). A comunidade cristã se sente chamada e sabe que só pode recorrer ao Pai porque recebeu o Espírito do Filho. E é, de fato, Jesus que confiou aos seus discípulos a oração do Pai Nosso.
Por fim, outro sinal é a Indulgência, uma manifestação concreta da misericórdia de Deus, tema que oportunamente iremos refletir durante este ano. No Ano Santo, além das indulgências recebidas pelos peregrinos que passam na Porta Santa, a Igreja concedeu a algumas igrejas jubilares a concessão de indulgências conforme o cumprimento de algumas exigências. Nossa Diocese, por viver o Ano Missionário, recebeu a graça de receber a indulgência em todas as igrejas e oratórios de nossas comunidades. Somos missionários, Peregrinos de Esperança!
PE. ARNALDO ALLEIN
Coordenador Diocesano de Pastoral