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Cristo, Rei do Universo

“Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso.” (Mt 25,31)

Jesus é um rei atípico, um rei pobre. De fato, o Evangelho mostra que esta pobreza abrangeu todos os aspectos de sua vida. Desde a sua entrada no mundo, Jesus experimentou as dificuldades relacionadas com a rejeição. O evangelista Lucas narra que, ao chegar, nasceu em condições humildes (cf. Lc 2,7; a referência em Mt 2,13-15 fala da fuga para o Egito, mas o sentido da humildade está presente). No início de sua vida pública, foi expulso de Nazaré após ter anunciado na sinagoga que nEle se cumpria o ano da graça, no qual os pobres se rejubilam (cf. Lc 4,14-30). Não houve um lugar acolhedor nem sequer no momento de sua morte: a fim de ser crucificado, levaram-no para fora de Jerusalém (cf. Mc 15,22). (Dilexi te 19)

É nessa condição que se resume claramente a pobreza de Jesus. Trata-se da mesma exclusão que caracteriza a vida dos pobres: eles são os marginalizados da sociedade. Jesus é a revelação deste privilegium pauperum, privilégio dos pobres. Ele se apresenta ao mundo não só como Messias pobre, mas também como Messias dos pobres e para os pobres. (Dilexi te 19)

Jesus é Rei, mas apresenta esse título em uma situação de extrema humilhação e aparente impotência: na Paixão, sob insultos, escárnios e zombarias dos chefes judeus, de Pilatos e dos soldados romanos.

Jesus não se apoia na força das armas, nem se move no interior de um sistema sustentado pela injustiça e pela mentira. Sua realeza tem um fundamento radicalmente diferente: ela provém do amor de Deus ao mundo.

Ele reina entregando sua vida. Ao contrário dos reis deste mundo, que vivem às custas de seus súditos, Jesus reina perdoando e amando, manifestando seu poder a partir da humilhação e da impotência. São João, no evangelho da Paixão, nos revela onde e como Jesus conquista o título de Rei: na entrega total de sua vida até a morte.

Um Rei crucificado é, aos olhos do mundo, uma contradição. Contudo, seu senhorio é o do amor incondicional, do compromisso com os pobres, da liberdade, da justiça, da verdade, da solidariedade e da misericórdia.

Jesus é rei desta forma, e não da maneira triunfalista que muitos cristãos, de visão limitada, gostariam. Ele é um rei que toca leprosos, que prefere a companhia dos pecadores, não faz acepção de pessoas, se aproxima de todos, valorizando e acolhendo a todos.

É um rei que lava os pés dos seus, um rei despojado de poder e de riqueza, que não pode se defender. Jesus crucificado é um rei diferente: seu trono é a cruz, sua coroa é de espinhos. Não tem manto, está desnudo. Não tem exército, nem armas. Até os seus O abandonaram.

 O Prefácio da Solenidade de Cristo Rei do Universo é uma oração fundamental que ilumina e aprofunda nossa compreensão da missão redentora de Cristo: “Com óleo de exultação, consagrastes sacerdote eterno e rei do universo vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-se na cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao seu poder toda criatura, entregará à vossa infinita majestade um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino de justiça, do amor e da paz”.

“Os pobres são os assessores do Rei Eterno.” (S. Inácio de Loyola)


DOM ADALBERTO DONADELLI JÚNIOR

Bispo Diocesano


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