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32ª Assembleia Diocesana de Pastoral

No dia 29 de novembro de 2025, memória litúrgica de São Saturnino Mártir, a Igreja particular da Diocese de Rio do Sul viveu um momento solene e de profunda renovação durante a 32ª Assembleia Diocesana de Pastoral, realizada no Auditório Frei Arthur Kleba, da Matriz da Paróquia Santo Estêvão, em Ituporanga. Sob a presidência do Bispo Diocesano, Dom Adalberto Donadelli Júnior, a assembleia congregou o clero, religiosos, seminaristas e leigos vindos das trinta e uma paróquias distribuídas pelas seis regiões pastorais, reforçando o vínculo eclesial da comunhão no Ano Jubilar da Esperança. Mais do que uma reunião avaliativa, este encontro traduziu-se em um verdadeiro convite à vivência da sinodalidade, centrada na escuta ativa e no compromisso missionário, cujo foco maior revelou-se a proclamação do Ano Eucarístico para 2026, um instrumento pastoral decisivo para aprofundar a vida cristã à luz do Corpo e do Sangue de Cristo, fundamento ontológico e alimento espiritual da Igreja.

O Bispo Diocesano, na abertura dos trabalhos, conduziu os participantes ao exercício do exame de consciência à maneira de Santo Inácio de Loyola, exortando-os a avaliar as práticas pastorais à luz do Evangelho e da sinodalidade, revisitando os avanços já atingidos e identificando possíveis insuficiências, no intuito de não comprometer o dinamismo evangelizador da Igreja particular de Rio do Sul. Chama atenção a referência à Pastoral da Visitação, inspirada no exemplo mariano da Anunciação, como caminho insubstituível para o anúncio vivo do Evangelho. Em um gesto emblemático, o Bispo ressaltou, ainda, a urgência de que a Igreja não abandone sua identidade missionária, realçando São João Paulo II na Encíclica Redemptoris Missio (1990), a saber: “Se a Igreja não for missionária, não é de Jesus Cristo.” Assentou, assim, que a sinodalidade deve habitar o coração e a prática do Ano Eucarístico, cujo pilar central é o “Pão da Vida”, exortando a uma vida cristã que brota, cresce e, sobretudo, se concretiza no mistério do Corpo entregado e do Sangue derramado, revelando uma comunhão que não se esgota em si mesma, mas se abre para o serviço e a caridade.

A assembleia efetuou também uma análise rigorosa dos frutos pastorais e das dificuldades enfrentadas no Ano Missionário, apresentada com rigor por Eric Giovanella e pelo Diácono Giovani Pereira, que evidenciaram um quadro misto: de um lado, o cercar da vida das paróquias com acolhimentos familiares, retorno de afastados e dinamismo na Pastoral do Dízimo; de outro, dificuldades técnicas na utilização do aplicativo missionário, resistência cultural à catequese do Dízimo mensal e preferência por festas populares em detrimento de celebrações eclesiais mais profundas. A análise meticulosa foi acompanhada por propostas concretas e vinculantes, aprovadas por ampla maioria, que englobam o fortalecimento da visitação pastoral, maior atenção aos idosos e migrantes, incremento da corresponsabilidade do clero e das congregações religiosas e ampliação das formas de celebração comunitária e sinodal.

O Ano Eucarístico projetado para 2026 desponta como a mais audaz e integradora iniciativa, configurando-se como eixo central da renovação pastoral diocesana. Com uma programação que contempla, além das Adorações Eucarísticas semanais às quintas-feiras (que ocorrem habitualmente), celebração especial na semana da Solenidade de Corpus Christi, retiros espirituais para a formação e renovação dos ministros extraordinários da Comunhão Eucarística, a instituição do Congresso Eucarístico Diocesano e a preparação das crianças para a Primeira Comunhão; ressalta-se, assim, que essa frente pastoral evidencia uma retomada vigorosa da centralidade do Mistério Pascal na vida de cada cristão e da comunidade. Enfatizou-se, ainda, a necessidade de uma evangelização autêntica dos espaços comunitários das festas populares, incluindo o cerco ao consumo de bebidas alcoólicas destiladas e a suspensão dos botecos nos fins de semana, favorecendo um ambiente que sustente a plena vivência do Mistério Eucarístico.

A vocação à sinodalidade foi ainda mais explícita com a apresentação da futura Escola Teológica para Leigos, pioneira no objetivo de formar agentes de pastoral e discípulos comprometidos nos pilares fundamentais da fé, missão e vida comunitária, e da reestruturação da Pastoral do Dízimo, com vistas a superar concepções meramente financeiras e construir uma visão de partilha comunitária inspirada na caridade evangélica. A perspectiva de uma Diocese Eucarística completa-se com a criação do Tribunal Eclesiástico Diocesano diante da nova configuração territorial eclesial regional (criação das Províncias Eclesiásticas de Joinville e Chapecó), bem como com a revitalização dos Grupos Bíblicos de Reflexão, em parceria com o Regional Sul 4, oferecendo um quadro pastoral plural e integrado.

A culminância da assembleia expressou-se na Celebração Eucarística presidida por Dom Adalberto, seguida de procissão solene até a Porta Santa, aberta segundo o rito romano próprio, um gesto simbólico que convidou todos a passar da mera participação para a experiência transformadora do Jubileu da Esperança, culminando com a consagração da Diocese à Virgem de Lourdes, a Mãe da Esperança e do Amor Maternal. A entrega simbólica da vela branca ornada com fita vermelha foi um sinal eloquente e vivaz da luz e do fogo do Espírito que alimenta a caminhada e a missão diocesana no horizonte da sinodalidade e do serviço eucarístico.

Deste modo, a 32ª Assembleia Diocesana de Pastoral não apenas consolidou um balanço e uma agenda pastoral necessários e pertinentes, mas, sobretudo, desafiou toda a Diocese de Rio do Sul à conversão íntima e comunitária, à vivência diária da Eucaristia como fonte inexaurível de comunhão e missão, garantindo o rito de passagem rumo à caridade e ao anúncio do Evangelho com coragem, sabedoria e esperança. Assim, a Diocese emerge desse encontro celebrativo como uma comunidade profundamente eucarística, em que o Corpo de Cristo se manifesta no altar e na vida de cada fiel, chamado ao discernimento contínuo, à corresponsabilidade e à fraternidade missionária.


ROMULO SERRÃO RODRIGUES

Seminarista


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