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A Partilha através do Dízimo, antes de tudo, é um gesto de fé e gratidão. Na Sagrada Escritura, Abraão oferece o Dízimo a Melquisedeque (Gn 14,20) como reconhecimento da ação de Deus em sua vida, Jacó promete o Dízimo ao Senhor depois de experimentar Sua proteção (Gn 28,20-22). Em ambos os casos, o Dízimo não nasce de obrigação, mas de um coração tocado pelo amor divino. Também o apóstolo Paulo ensina que “Deus ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7), lembrando que a verdadeira partilha é fruto de liberdade e confiança.
A espiritualidade do Dízimo nos convida a reconhecer que tudo o que somos e temos vem de Deus. Quando partilhamos com amor à Igreja e ao próximo, afirmamos com humildade o que o povo de Israel rezava: “Tudo vem de Vós” (1Cr 29,14). Por isso, o Dízimo não é taxa, nem contribuição anual, mas partilha. É a resposta do discípulo que deseja participar da missão da Igreja, cooperando para que o Evangelho chegue aos corações de todos, e para que a caridade alcance os que mais precisam.
Na vida das comunidades, o Dízimo torna visível o amor em ação: fortalece a evangelização, sustenta a Catequese, permite a celebração dos Sacramentos, apoia as pastorais, ajuda os pobres e mantém as estruturas que servem à fé. Cada gesto de partilha se transforma em cuidado, acolhida e esperança. Ao dizimista, a Igreja não pede apenas a partilha, mas convida a assumir corresponsabilidade e pertença: somos parte de um mesmo corpo, e cada partilha ajuda a construir uma comunidade mais viva, transparente e missionária.
Que este ano que se inicia nos leve a partilhar o Dízimo com alegria, cultivando um coração agradecido, assim como o fizeram os primeiros Cristãos. Mais do que um ato financeiro, o Dízimo é um caminho espiritual, praticado mês a mês, dando forma concreta ao amor, alimentando a fé e permitindo que a graça de Deus continue transformando vidas em nossas comunidades.
ALBERTO JORGE FRANCISCO