Loading...

Artigos

A força transformadora da Eucaristia

Neste ano de 2026, celebramos, na Diocese de Rio do Sul, o Ano Eucarístico. Somos convidados a permanecer mais tempo diante da Eucaristia, a participar da Eucaristia e a ser Eucaristia para nossos irmãos e irmãs. É o alimento que transforma nossas vidas, sustenta nossa fé e fortalece em nós o compromisso de amar.

Na Eucaristia, manifesta-se o amor infinito de Deus, revelado na vida doada de Jesus, no Espírito Santo. Em João 3,16 lemos: “A tal ponto Deus amou o mundo que nos enviou Seu próprio Filho.” Dar a vida por alguém é a expressão por excelência do amor. E, ao participarmos da vida do Senhor, somos chamados a entregar também a nossa vida e a amar como Ele ama.

Comungar Jesus e adorar Jesus traz consequências para o nosso cotidiano: exige que nos deixemos conduzir pelo Seu dinamismo de amor (1Jo 3,16). Na Eucaristia está o centro da comunhão e da doação ao próximo; é nela que encontramos força para vencer nossas lutas, enfermidades, angústias e egoísmos, abrindo-nos ao amor que cura, que nos faz confiar mais, perseverar mais, perdoar mais... Pois amor com amor se paga! (São João da Cruz). Amamos porque fomos, primeiro, profundamente amados por Deus.

E quando amamos, os sacrifícios e gestos de entrega gratuita não pesam; brotam da bondade do coração e enchem de alegria aquele que ama. Para nós, cristãos, a verdadeira felicidade está em dar (At 20,35), em experimentar a beleza de fazer o bem. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, nos diz: “Sereis felizes se fizerdes assim” (Jo 13,17). Assim, para encontrar a alegria verdadeira, é preciso amar gratuitamente.

Nestes dias, conversando com um padre de nossa Diocese, ele recordou a história de São Francisco, que pediu ao irmão Leão que anotasse o que seria a perfeita alegria: “...Se nós tivermos a graça de Deus de pregar o Evangelho e a cruz, e por obras e exemplos pudermos levar as pessoas a Jesus, e fizéssemos todas as curas e tivéssemos muitos dons, ainda não seria a perfeita alegria. Mas, se nós, diante da porta fechada, das necessidades e do abandono, mantivermos a paz, isto seria a perfeita alegria...”. É sempre a lógica da humildade e do amor gratuito.

A revelação mais surpreendente do amor encontra-se também no perdão de Deus, porque nele se expressa, com clareza, a gratuidade do amor cristão. Não se trata apenas de perdoar quem nos pede perdão, que já seria muito bom, mas é algo mais profundo. É viver o “amor primeiro”: oferecer o perdão antes mesmo de ser solicitado. Jesus nos ensina: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos. Fazei o bem a quem vos ofende, rezai por quem vos calunia e vos persegue, e sereis filhos de vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,38). Este é o amor humilde que Jesus espera de nós, o mesmo amor que Ele ofereceu em Sua entrega.

A Eucaristia, alimento divino, nos ensina a pedagogia do amor gratuito; é a nossa resposta ao mandamento do amor e, ao final de nossas vidas, será o testemunho de que fomos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, irmãos e irmãs para além de qualquer diferença.

Que possamos reservar um tempo (um bom tempo) para estar diante da Eucaristia, para participar da Eucaristia e para ser alimento na vida do outro.


IRMÃ ADRIANA, PMMI

Coordenação Diocesana de Pastoral e SAV


Galeria

Imagens relacionadas